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Edição #— — quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Democratas tomam o Congresso dos EUA e travam a pauta cripto; bitcoin se recupera para US$ 78 mil

Os democratas conquistaram Câmara e Senado nas eleições de meio de mandato e Elizabeth Warren fica na frente da comissão bancária, o que na prática enterra o CLARITY Act e empurra as regras cripto para o terreno das agências; o bitcoin chegou a cair para US$ 75,7 mil, o menor nível desde 16 de setembro, e devolveu tudo em poucas horas, o Mercado Bitcoin segue fora do ar com US$ 12,9 milhões bloqueados, os ETFs à vista perdem US$ 399 milhões em um dia e o ZEC dispara 14% às vésperas do upgrade NU7.

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🧠 Democratas varrem Câmara e Senado, e a lei cripto dos EUA fica sem futuro

A virada democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos mudou o cálculo de quem apostava numa regra clara para cripto em Washington. Com base em dados da AP, a NBC News projetou maioria democrata no Senado, com 54 cadeiras contra 44 dos republicanos por volta das 9h28 de Brasília, um ganho líquido de sete assentos sobre os 53 que os republicanos tinham, e também maioria na Câmara, por 258 a 177. Sete cadeiras republicanas foram viradas: Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas.

O efeito prático para o mercado é direto. Elizabeth Warren, crítica declarada do setor, fica na frente da comissão de bancários do Senado, e indicações para SEC e CFTC passam a precisar de voto democrata. O analista Jaret Seiberg, da TD Cowen, escreveu no dia da eleição que, com os democratas nas duas casas, o Congresso tende a investigar Trump e seus vínculos com cripto, "e é por isso que não esperamos que o CLARITY Act passe nos próximos dois anos". O projeto já havia fracassado em setembro, num teste de 49 a 50 para abrir debate, quando precisava de 60 votos, e expira em 3 de janeiro se o Senado não agir. Sobram dois caminhos: a sessão de fim de mandato até 3 de janeiro, que a senadora Angela Alsobrooks ainda considera possível, e a regulamentação por SEC e CFTC, que funciona sem o Congresso desde que as agências tenham quadro.

O mercado, que havia precificado a vitória democrata, reage com volatilidade e depois com alívio. O bitcoin chegou a US$ 75,7 mil durante a apuração, o menor nível desde 16 de setembro, e voltou a bater na porta dos US$ 78 mil poucas horas depois, com cerca de US$ 366 milhões em posições liquidadas no caminho, 70% delas compradas. O Ethereum recupera 2,7% a US$ 2.317, a capitalização total do mercado volta a US$ 2,65 trilhões, com dominância de BTC em 59,4%, e o índice Fear & Greed sobe de 26 para 35, ainda em zona de medo.

No Brasil, a leitura é de que a janela para uma regra americana amigável fechou justamente quando o país termina de fechar a sua. A Resolução BCB 589 entra em vigor nesta sexta-feira (6) e passa a restringir bancos e instituições de pagamento de operar com prestadoras de ativos virtuais sem autorização do Banco Central. O prazo para pedir licença terminou em 30 de outubro com cerca de 75 pedidos protocolados e ao menos 15 empresas deixando o varejo ou o país. E a maior corretora nacional, que está na fila do BC, completa mais de 24 horas com a plataforma fora do ar depois do ataque de 2 de novembro.

🚨 Radar Cripto

ELEICOES

A NBC News projetou maioria democrata no Senado (54 a 44) e na Câmara (258 a 177), com sete cadeiras republicanas viradas: Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas. Elizabeth Warren assume a frente da comissão bancária do Senado e as indicações para SEC e CFTC passam a exigir voto democrata.

CLARITY ACT

A TD Cowen avalia que o CLARITY Act não passa nos próximos dois anos com os democratas nas duas casas. O projeto perdeu o teste de debate por 49 a 50 em setembro, quando precisava de 60 votos, e expira em 3 de janeiro. A tendência é que as regras cripto dos EUA saiam de SEC e CFTC, não do Congresso.

MERCADO

O bitcoin caiu para US$ 75,7 mil durante a apuração, o menor nível desde 16 de setembro, e se recuperou para cerca de US$ 78 mil no início da manhã, alta de 2,2% em 24 horas. O Ethereum sobe 2,7% a US$ 2.317, a capitalização total volta a US$ 2,65 trilhões com dominância de BTC em 59,4%, e o Fear & Greed sobe de 26 para 35.

MERCADO BITCOIN

A plataforma da maior corretora brasileira segue fora do ar mais de 24 horas depois do ataque. O Mercado Bitcoin reconhece US$ 36,3 milhões desviados e afirma ter bloqueado US$ 12,9 milhões, enquanto a Chainalysis estima até US$ 49 milhões e a Tether congelou cerca de US$ 3,7 milhões. A empresa diz que clientes não terão prejuízo e não dá prazo para a volta.

BINANCE

A investigação da Binance mostrou que os hackers entraram por uma falsa entrevista de emprego e por um instalador Homebrew adulterado baixado por um engenheiro em junho, usando depois ferramentas internas de IA para alcançar o sistema de assinatura de carteiras. Foram US$ 6,34 bilhões em 29 de outubro, com US$ 2,85 bilhões já congelados e 98% dos ativos repostos; o fluxo líquido voltou a positivo em US$ 2,3 bilhões.

ETFS

Os ETFs à vista de bitcoin dos EUA tiveram US$ 398,6 milhões em saídas líquidas em 2 de novembro, com o IBIT da BlackRock sozinho perdendo US$ 405,3 milhões, a maior saída desde 26 de junho. Somados aos fundos de Ethereum, os resgates chegaram a US$ 1,3 bilhão em dois dias, sinal de apetite institucional mais cauteloso.

💡 Insight da Edição

A vitória democrata nos Estados Unidos chega ao Brasil como um aviso de calendário, não como um choque imediato. Sem o CLARITY Act, a referência regulatória para o mercado americano passa a ser o que SEC e CFTC escreverem em regra, o que significa mais incerteza por mais tempo e um padrão que pode mudar a cada troca de comando nas agências. Para quem opera em dólar ou usa stablecoin para liquidar pagamentos internacionais, o efeito prático é custo de conformidade maior e mais perguntas de banco parceiro, não proibição. Aqui dentro, o movimento é o oposto: o país está fechando o perímetro. A Resolução BCB 589, que altera o artigo 91 da Resolução 520, entra em vigor nesta sexta-feira (6) e impede bancos, instituições de pagamento e demais entidades autorizadas de realizar ou viabilizar operações com prestadoras de ativos virtuais sem autorização, ressalvadas as exceções previstas. O prazo para pedir licença terminou em 30 de outubro, com cerca de 75 pedidos protocolados segundo levantamentos do setor, entre bancos como Itaú, Bradesco, Nubank, Inter e BTG, a B3, as globais Binance, Coinbase, Kraken, OKX, Bybit e Bitget, e as brasileiras Mercado Bitcoin, Foxbit e Brasil Bitcoin. Ao mesmo tempo, ao menos 15 empresas reduziram operações ou deixaram o varejo brasileiro, casos de Bitso, Bity, NovaDAX, Revolut e Uphold, segundo o Livecoins. O detalhe que incomoda é a coincidência: a maior corretora nacional, que está na fila do Banco Central, completa mais de 24 horas com a plataforma fora do ar por causa de um ataque de US$ 36,3 milhões a US$ 49 milhões, quatro dias depois do maior roubo da história das criptos. Protocolar o pedido não é receber a licença, e licença não é selo de segurança operacional. Para o investidor, três práticas passam a valer mais que qualquer promessa: manter parte relevante em autocustódia, diversificar entre plataformas em vez de concentrar tudo em uma, e conferir se a corretora aparece na lista de autorizadas ou em transição do BC. O Brasil movimentou US$ 252,5 bilhões em cripto entre julho de 2025 e junho de 2026 e lidera o índice de adoção da Chainalysis; entra agora na fase em que governança, auditoria e segurança de custódia custam caro e separam quem fica de quem sai.

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