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Edição #— — sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Bitcoin desaba 5,4% para US$ 75,9 mil e apaga o rali eleitoral com US$ 428 milhões liquidados em uma hora

O bitcoin devolveu em poucas horas os US$ 5 mil ganhos depois das midterms e voltou a US$ 75,9 mil, mínima desde 16 de setembro, arrastado por um tombo de 5,52% do Nasdaq, o pior em 19 meses, com Nvidia caindo 9,3% e o índice de semicondutores recuando 12,3% no dia; o gatilho foi o medo de que a onda democrata freie a construção de data centers de IA, e o mercado cripto viu US$ 428 milhões em longs liquidados em sessenta minutos, ETFs de bitcoin e ether perderem US$ 530 milhões, o Mercado Bitcoin marcar reabertura em modo leitura para 9 de novembro e o Fear & Greed desabar de 50 para 28.

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🧠 Bitcoin desaba 5,4% para US$ 75,9 mil e apaga o rali eleitoral com US$ 428 milhões liquidados em uma hora

A recuperação pós-eleitoral do bitcoin durou menos de trinta e seis horas. O ativo chegou a US$ 80,5 mil na madrugada de quinta-feira, devolveu tudo no pregão americano e marcou US$ 75.463, a menor cotação desde 16 de setembro, antes de estabilizar perto de US$ 75,9 mil na manhã desta sexta, queda de 5,4% em 24 horas. O ether cai 7,4% a US$ 2.235, a solana recua 6,9% para US$ 89,88 e o XRP perde 9,4% a US$ 1,19, depois de tocar US$ 1,18, mínima de onze semanas. Cerca de 90% das cem maiores criptomoedas fecharam no vermelho, a capitalização total recuou para US$ 2,56 trilhões e o índice Fear & Greed voltou de 50 para 28, retornando à zona de medo em um único dia.

O combustível da queda não veio do mercado cripto, veio da bolsa americana. O Nasdaq caiu 5,52%, seu pior dia desde abril de 2025, e entrou oficialmente em correção, mais de 10% abaixo do recorde de 6 de outubro. O Nasdaq 100 recuou 6,36%, o pior pregão desde março de 2020. A Nvidia perdeu 9,3% e apagou os ganhos do ano, o índice de semicondutores da Filadélfia caiu 12,3%, e o VIX disparou quase 70% em um dia, a maior alta em quase dois anos. O Dow Jones fechou 1.833 pontos abaixo, devolvendo integralmente os 1.569 pontos ganhos na quarta-feira.

A leitura do mercado é política e específica. A vitória democrata nas midterms trouxe a eleição de Gina Hinojosa no Texas, que fez campanha por uma moratória temporária de data centers e pelo fim de incentivos fiscais ao setor, e eleitores de pelo menos 29 localidades americanas aprovaram medidas para restringir novas instalações. O UBS estima que eventuais suspensões de projeto possam afetar até 30% da capacidade adicional de data centers prevista para os Estados Unidos em 2028. Como o bitcoin vem sendo negociado como ativo de risco correlacionado ao complexo de tecnologia, o choque passou direto: a Coinbase caiu 7,8%, a Circle recuou 10%, a Strategy perdeu mais de 8% e mineradoras com aposta em infraestrutura de IA, como Cipher, Bitdeer, IREN e TeraWulf, recuaram entre 13% e 15%. No mesmo movimento, a Core Scientific confirmou a saída total da mineração de bitcoin até o fim do ano, com a receita migrando para capacidade de IA.

A alavancagem fez o resto. Segundo a CoinGlass, US$ 428 milhões em posições compradas foram liquidados em apenas uma hora no auge da queda, e o total de liquidações em 24 horas passou de US$ 1 bilhão. É o espelho invertido da quarta-feira, quando US$ 378 milhões em shorts foram zerados em sessenta minutos conforme o bitcoin rompia os US$ 80 mil. Sem o fluxo de shorts para recomprar, o mercado perdeu o único comprador relevante do dia.

O institucional também virou de lado. Os ETFs à vista de bitcoin e ether nos Estados Unidos tiveram saída combinada de US$ 530 milhões na quinta-feira, encerrando uma sequência de três dias de entradas. E a geopolítica do setor segue pesando: a Binance já registrou retirada líquida de US$ 4,72 bilhões desde a reabertura dos saques em 1º de novembro, após o ataque de US$ 6,3 bilhões, e a Chainalysis admitiu que a invasão sofrida nesta semana expôs não apenas nomes e e-mails, mas também hashes de senhas e tokens ativos de clientes.

O que o investidor deve observar hoje é o relatório de emprego americano, previsto para esta sexta-feira. Com a inflação ainda resistente e o mercado já especulando com novas altas do Fed, um dado forte de trabalho fecha o círculo: mais juro, menos apetite por risco e mais pressão sobre os US$ 75 mil, que agora são o suporte técnico mais importante do bitcoin. Do outro lado, uma recuperação acima de US$ 80 mil seria necessária para desfazer o engolfo de baixa deixado pelo candle de quinta.

🚨 Radar Cripto

MERCADO

O bitcoin opera a US$ 75,9 mil, queda de 5,4% em 24 horas, depois de tocar US$ 75.463, o menor nível desde 16 de setembro, e devolver integralmente os US$ 80,5 mil da madrugada de quinta. O ether cai 7,4% a US$ 2.235, a solana recua 6,9% para US$ 89,88, o XRP perde 9,4% a US$ 1,19 e a capitalização total do mercado volta a US$ 2,56 trilhões, com dominância de BTC em 59,2%. O índice Fear & Greed desaba de 50 para 28, voltando à zona de medo.

LIQUIDAÇÕES

A CoinGlass registrou US$ 428 milhões em posições compradas liquidadas em uma única hora durante a queda, com o total em 24 horas superando US$ 1 bilhão, em 138 mil traders. É a imagem espelhada de quarta-feira, quando US$ 378 milhões em shorts foram zerados em sessenta minutos na ruptura dos US$ 80 mil: sem vendedores para recomprar, o mercado perdeu o principal comprador do rali.

WALL STREET

O Nasdaq caiu 5,52%, o pior dia desde abril de 2025, e entrou em correção, mais de 10% abaixo do recorde de 6 de outubro, com o Nasdaq 100 recuando 6,36%, o pior pregão desde março de 2020. A Nvidia perdeu 9,3%, o índice de semicondutores caiu 12,3% e o VIX subiu quase 70%. O gatilho foi o medo de que a onda democrata freie data centers de IA, com moratória defendida no Texas e restrições aprovadas em 29 localidades; o UBS estima risco de até 30% da capacidade adicional prevista para 2028. No rastro, a Core Scientific confirmou sair da mineração de bitcoin até o fim do ano.

ETFS

Os ETFs à vista de bitcoin e ether nos Estados Unidos registraram saída combinada de US$ 530 milhões na quinta-feira, encerrando três dias consecutivos de entradas e apagando os aportes que sustentaram o rali pós-midterms. Os fundos de bitcoin voltaram a operar com fluxo negativo justamente quando o preço perdeu o suporte dos US$ 80 mil, retirando a principal fonte de demanda institucional do mercado.

SEGURANÇA

A Chainalysis confirmou que a invasão sofrida nesta semana expôs não só nomes e e-mails, mas também hashes de senhas e tokens ativos de clientes, contrariando a versão inicial de que apenas dados não sensíveis haviam sido acessados. No rastro do ataque de US$ 6,3 bilhões à Binance, a exchange acumula retirada líquida de US$ 4,72 bilhões desde 1º de novembro e as concorrentes correram a divulgar índices de custódia fria: Coinbase diz manter mais de 99% dos ativos de clientes offline e a Gate reporta 88,26%.

BRASIL

O Mercado Bitcoin marcou para 9 de novembro o início da reabertura gradual da plataforma, mas em modo de leitura: primeiro libera acesso pelo site para consulta de saldo, extrato, patrimônio e investimentos, e só depois retoma transferências, saques e negociações. A empresa bloqueou mais de US$ 15 milhões e diz que recomporá com recursos próprios os ativos envolvidos no incidente, garantindo que nenhum cliente perderá saldo.

💡 Insight da Edição

A conta do investidor brasileiro nesta sexta-feira é feita em reais e o resultado não é simpático. Com o dólar a R$ 5,47, o bitcoin a US$ 75,9 mil equivale a cerca de R$ 415 mil, e o ether a US$ 2.235 vale perto de R$ 12,2 mil. Quem comprou nos US$ 80,5 mil de quarta perdeu quase 6% em menos de dois dias, e quem olha o gráfico em real precisa lembrar que o dólar não subiu para compensar: a alta da moeda americana não veio dessa vez, porque a queda foi sincronizada com a bolsa americana, sem fuga clássica para o dólar como no episódio da Binance. O segundo ponto é operacional e pesa mais do que o preço. O Mercado Bitcoin libera o site em 9 de novembro, mas em modo leitura: consulta de saldo, sem saque, sem transferência e sem negociação. Na prática, o cliente com posição na maior exchange brasileira continua sem conseguir liquidar justamente na semana em que o mercado testou o suporte mais importante dos últimos dois meses. A promessa de recomposição com recursos próprios, com US$ 15 milhões bloqueados, é um alívio contábil, não de liquidez. Vale documentar prints de saldo e extrato antes da reabertura, para ter histórico próprio em caso de divergência. O terceiro ponto é o movimento dos bancões, e é o mais interessante da semana. Itaú e Bradesco admitiram publicamente que estudam permitir que clientes usem bitcoin como garantia em operações de crédito, exatamente quando a custódia em exchange está sob ataque e a regulação do Banco Central caminha para separar definitivamente players autorizados de aventureiros. É a migração do brasileiro de "comprar cripto na exchange" para "usar cripto em produto bancário regulado", o mesmo caminho que o mercado americano fez com os ETFs. Se a modalidade sair do papel em 2027, o preço a pagar será transparência total e IOF sobre a estrutura, mas a contrapartida é não passar por nove dias sem saque. Por fim, o gatilho de hoje é macro e chega às 10h30 pelo relatório de emprego americano. Mercado de trabalho forte significa menos corte de juros, mais atrito sobre ativos de risco e, para o brasileiro, a decisão prática de não aumentar posição na sexta-feira. Os US$ 75 mil são a linha que separa correção de mudança de regime, e quem opera alavancado deveria reduzir tamanho antes dos dados, não depois.

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