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Edição #— — sábado, 7 de novembro de 2026
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Bitcoin estabiliza em US$ 76 mil, mas medo extremo e ETFs negativos transformam o rali em armadilha

O bitcoin abre o sábado em US$ 76,1 mil, alta de 0,4% em 24 horas, depois de testar US$ 74.921 na quinta-feira e devolver todo o rali pós-midterms; o alívio é técnico e não estrutural: os ETFs americanos de bitcoin somam US$ 869,8 milhões em saídas só nesta semana, o saldo do ano virou negativo em US$ 431 milhões, o Fear & Greed caiu a 25, a primeira leitura de medo extremo em três meses, e o relatório de emprego americano com 165 mil vagas contra 65 mil esperadas empurrou as apostas de corte do Fed para longe; no Brasil, a Bitquery mostra que o ataque ao Mercado Bitcoin drenou US$ 48,6 milhões em 11 blockchains e seguiu por quase quatro horas depois do anúncio de contenção.

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🧠 Bitcoin estabiliza em US$ 76 mil, mas medo extremo e ETFs negativos transformam o rali em armadilha

O bitcoin passa a manhã deste sábado em US$ 76,1 mil, exatamente onde estava quando a poeira da quinta-feira baixou. A alta de 0,4% em 24 horas não deve ser lida como recuperação: o ativo tocou US$ 74.921 na mínima do dia anterior, recuperou o patamar de US$ 76 mil ainda na sexta e agora oscila em uma faixa estreita de menos de 2%, entre US$ 74,9 mil e US$ 76,3 mil. O ether sobe 0,7% a US$ 2.247, a solana avança 0,4% para US$ 90,16 e o XRP é a exceção negativa entre as grandes, caindo 1,4% a US$ 1,18. A capitalização total do mercado está em US$ 2,575 trilhões, com dominância de bitcoin em 59,3%, e o volume de negociação caiu para US$ 23,4 bilhões, sinal clássico de mercado que perdeu convicção em vez de encontrar piso.

O dado que estraga a narrativa de fundo é o fluxo institucional. Os ETFs americanos de bitcoin perderam US$ 430,2 milhões na quinta-feira, e o acumulado da semana chegou a US$ 869,8 milhões em quatro dias de negociação: US$ 398,6 milhões na segunda, US$ 115,6 milhões na terça, US$ 74,6 milhões de entrada na quarta e o rombo de quinta. Convertidos pelo preço de referência, são cerca de 5.650 bitcoins saindo dos fundos em um único dia, o equivalente a doze dias de toda a emissão nova de mineradores. O efeito agregado é o que mais pesa: com o ano praticamente encerrado, o saldo de 2026 dos ETFs à vista virou negativo em US$ 431 milhões pelos dados da TFTC e em US$ 502 milhões pela contagem da SoSoValue. Em 21 de outubro esse mesmo saldo era positivo em US$ 1,41 bilhão. Para fechar o ano no azul, os fundos precisariam atrair mais de US$ 500 milhões nas oito semanas restantes, em um ambiente em que ninguém está comprando.

O segundo golpe veio do mercado de trabalho. O relatório de emprego americano de outubro mostrou 165 mil vagas criadas contra 65 mil esperadas, um número três vezes acima da projeção que reposicionou toda a curva de juros. Com economia aquecida, a chance de o Fed cortar juros em dezembro recuou e a de uma alta voltou à mesa, o que retira precisamente o combustível que sustentou o bitcoin entre junho e setembro. O Fear & Greed Index da Alternative.me marcou 25 neste sábado, primeira leitura de medo extremo desde 5 de agosto, depois de 28 na sexta e 50 na quarta-feira. Vale a ironia histórica: na última vez que o índice atingiu esse nível, o bitcoin rompeu para cima. O indicador mede emoção, não preço, e a diferença agora é que os ETFs estão vendendo, não apenas os traders de varejo.

A leitura técnica está clara e desconfortável. O bitcoin está espremido entre a média móvel de 100 dias, em US$ 76.943, e a de 200 dias, em US$ 73.192. Um fechamento diário acima de US$ 76.943 devolve viés de alta de curtíssimo prazo; um fechamento abaixo de US$ 74.790 abre caminho para testar a linha de 200 dias, o último grande suporte gráfico antes da região de US$ 70 mil. Enquanto isso, a única alta consistente do dia é a da Zcash, que sobe 4,6% a US$ 1.326 e acumula ganhos de dois dígitos desde a ativação da NU7, a atualização que reduziu o tempo de bloco para 25 segundos e iniciou o programa de resistência quântica. O ZEC é hoje o único ativo entre os dez maiores com ETF registrando entrada líquida, US$ 1,77 milhão na sexta, contra saídas em SOL, LINK e HYPE.

🚨 Radar Cripto

ETFS

Os ETFs americanos de bitcoin perderam US$ 430,2 milhões na quinta-feira e US$ 869,8 milhões na semana. O saldo de 2026 virou negativo em US$ 431 milhões (TFTC) ou US$ 502 milhões (SoSoValue), contra US$ 1,41 bilhão positivos em 21 de outubro. O patrimônio total dos fundos caiu para US$ 96,65 bilhões, de US$ 113,29 bilhões no fim de 2025, e a Fidelity liderou a saída de quinta com US$ 199,9 milhões, à frente dos US$ 105 milhões da IBIT.

MACRO

O relatório de emprego americano de outubro trouxe 165 mil vagas contra 65 mil esperadas, triplicando a projeção e derrubando as apostas em corte de juros pelo Fed em dezembro. O dólar se firmou e o ouro recuou junto com o bitcoin, sinal de que o movimento não é fuga para ativos de risco, é reprecificação de liquidez. A temporada de balanços de tecnologia segue como o outro vetor de volatilidade.

SENTIMENTO

O Fear & Greed Index caiu para 25 neste sábado, zona de medo extremo pela primeira vez desde 5 de agosto, depois de 28 na sexta e 50 na quarta-feira. O índice desabou 25 pontos em três dias, a maior deterioração tão rápida desde o episódio do hack da Binance, e devolve o mercado ao mesmo estado emocional que antecedeu a recuperação de agosto.

LIQUIDAÇÕES

As liquidações na quinta-feira superaram US$ 1 bilhão em 24 horas, com a maior parte em posições compradas. A sequência da semana é simétrica e brutal: US$ 378 milhões em shorts zerados na quebra dos US$ 80 mil na quarta, US$ 428 milhões em longs liquidados em sessenta minutos na quinta, e agora um mercado sem alavancagem de nenhum dos dois lados para empurrar o preço.

MERCADO BITCOIN

A Bitquery rastreou US$ 48,6 milhões roubados em 11 blockchains, acima dos US$ 36,3 milhões que o Mercado Bitcoin reconhece na FAQ atualizada. O dado mais grave é temporal: 36.042 endereços de depósito em Ethereum foram esvaziados entre 9h27 e 13h56 de 2 de novembro, quase quatro horas depois de a exchange anunciar às 9h56 que havia contido o incidente. Os saques foram assinados pelos próprios endereços de depósito, o que sugere acesso à chave mestra ou ao sistema que assina por elas.

BRASIL

A Resolução BCB nº 561 fechou a porta para stablecoins e cripto na liquidação de pagamentos internacionais regulados, exigindo canais de câmbio tradicionais ou contas em reais. No mesmo movimento regulatório, o Itaú Unibanco se tornou o primeiro banco brasileiro a notificar o Banco Central sobre negociação e custódia de criptoativos, em 27 de outubro, sob a Resolução BCB 520. O país institucionaliza o mercado enquanto fecha a porteira do câmbio cripto.

💡 Insight da Edição

A conta do investidor brasileiro neste sábado tem três camadas e as três apontam para a mesma direção: cautela operacional. Com o dólar a R$ 5,50, o bitcoin a US$ 76,1 mil equivale a cerca de R$ 418,6 mil, e o ether a US$ 2.247 vale perto de R$ 12,4 mil. O alívio de 0,4% no preço em dólar desaparece quando se olha o acumulado da semana: quem comprou na euforia dos US$ 80,5 mil na quarta está com perda de 5,5% em três dias, e a queda foi sincronizada com a bolsa americana, sem a proteção cambial que normalmente acompanha selloffs globais. A camada mais urgente é a do Mercado Bitcoin, e ela mudou de natureza nesta semana. O relatório da Bitquery desmonta a versão de contenção rápida: o ataque continuou por quase quatro horas depois do comunicado oficial, e os saques foram autorizados pelos próprios endereços de depósito, o que significa que o invasor tinha as chaves ou o sistema que assinava por elas. Como exchanges costumam derivar chaves de depósito de uma chave mestra única, a recomendação prática é simples e não admite preguiça: não reutilize endereços antigos de depósito da exchange até ela confirmar publicamente que estão seguros. A reabertura começa em 9 de novembro, e apenas para consulta de saldo. Depósito, saque e negociação seguem sem data. Para quem tem posição presa, o plano não é esperar o e-mail, é documentar: print de saldo, histórico de transações exportado e protocolo de atendimento. A exchange prometeu cobrir as perdas com recursos próprios, e essa promessa precisa estar registrada antes da reabertura. A terceira camada é regulatória e vale mais no médio prazo do que qualquer candle. A Resolução BCB nº 561, que impede o uso de stablecoins e criptoativos na liquidação de pagamentos internacionais regulados, empurra o volume de câmbio cripto para fora do perímetro oficial justamente quando o Itaú se torna o primeiro banco a notificar o BCB sobre negociação e custódia próprias de cripto. O desenho que emerge é de dois trilhos separados: um institucional, auditado, dentro das regras, e outro de pagamento transfronteiriço, que perdeu a via legal. Quem usava stablecoin para pagar fornecedor ou receber do exterior precisa revisar o desenho agora, antes de a operação travar na liquidação, e não depois. Um mercado com medo extremo, ETFs vendendo e regra nova apertando é um mercado em que a única posição confortável é a que se conhece por inteiro.

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